terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Santiago de Compostela, uma peregrinação - dia 03/01

Duas e pouco da manha, todos no trem dormindo, ferrolho trancando a porta da cabine e eis que faz-se um estrondo onde achei que estava tudo caindo.

Apesar de estar numa cabine para quatro pessoas, só havia eu e mais dois e um deles teve um surto, começou a socar e tentar abrir a porta dizendo que alguém havia entrado na cabine.

Eu e o outro cara acordamos no susto, olhamos para o cara que estava atacado e falamos que ninguém podia ter entrado na cabine se ela estava trancada por dentro.

O cara fez uma careta, pediu desculpas e saiu por um tempo da cabine, voltando depois e indo dormir. 

O problema é que depois disso eu nao consegui mais dormir direito. Foram horas de mau sono e me revirando na cama.

O pessoal do trem nos acordou quando faltava uns trinta minutos para a chegada. Me arrumei, escovei dente (fui o único quem escovou dente na viagem), peguei minhas coisas e cheguei.

Saí do trem e as sete e pouco da manha ainda estava escuro e muito frio. Fui atras de um guarda volume para deixar minhas coisas para visitar a cidade.

Surpresa das surpresas, nao tinha guarda volume na estação de trem!!!!!

Ou seja, eu estava cheio de coisas e sem ter onde deixar. Ou ia carregar tudo comigo ou ia embora. Confesso que deu muita vontade de ir embora, mas acabei pegando tudo e naquele breu mesmo eu fui atras da Catedral.

Nao havia nenhuma informação, placa ou quem perguntar. Peguei uma avenida principal e fui subindo, com aquele monte de peso. 

Chegou uma hora que encontrei uma mulher e perguntei onde ficava a catedral e ela disse que ia lá para perto e que eu acompanhasse ela.

Agradeci e fui. Chegando na praça da catedral nao havia nem um banco para eu sentar. Fazia frio e estava tudo escuro ainda. Resolvi andar um pouco para procurar uma lanchonete ou padaria aberta.

Andei e nada de achar algo aberto e eu nao queria ir muito longe da praça da catedral para nao me perder. Depois de uns 10 minutos procurando e sem achar nada eu voltei pra praça da catedral e quando olhei pra baixo vi uma lanchonete aberta e que estava na minha cara...

Entrei, tomei um café, comi e tomei muita água. Fiquei ali dentro uma hora mais ou menos e a atendente nao sabia o horário de abertura da catedral e o guia dizia que era 07:00 mas a porra da frente estava fechada.

De repente me deu um estalo e lembrei que eles geralmente abrem uma porta lateral ou traseira nesses horários muito cedo e pronto, lá estava a porta aberta.

Entrei na catedral carregado de coisas e no inicio da missa. Eu de religioso nada tenho, mas sentei e assisti a missa. Quando o órgão começou a tocar foi uma coisa linda. Gostei muito e acho que o cansaço e todo o passado para chegar ali influenciaram na sensação daquele momento.

Depois do fim da missa fui andar um pouco dentro da catedral mas nem dava pra aproveitar muito com aquele monte de mala.

Saindo da catedral fui andar um pouco pela cidade, tirar fotos, manda postais para casa e almoçar.

Eles lá almoçavam tarde, pois meio dia do tinha eu no restaurante que estava abrindo naquele momento.

Comi um peixe da região, descansei um pouco e fui peregrinar mais um pouco pela cidade. Tava me sentindo que nem os peregrinos que vi chegando na catedral.

Resolvi andar com aquele monte de coisa ate um parque que tinha lá para ter uma vista mais ampla da cidade.

Cena insólita. Eu com um monte de coisas nas mãos arrastando tudo pela cidade e puxando a mala de rodilhas no meio da areia do parque. Só sendo turista pra fazer isso.

Tirei umas fotos e fui embora para estação de trem pois estava exausto. 

Peguei o trem para Vigo e de lá teria que pegar outro para o Porto.

Cheguei em Vigo mais ou menos umas 16:30 e entao descobri que o trem para Porto só iria sair as 19 e pouco. Ou seja, tres horas quase sentado na estação de trem sem nada pra fazer.

Depois de muito esperar peguei o trem da CP para Porto. Era um trem horroroso!!!! Fui duas horas e meia sacolejando e num barulho tremendo.

Cheguei no Porto mais de dez da noite e fui perguntar como chegava no hostel e me disseram pra pegar um ônibus que passava na Dr. Magalhães. 

O problema era que o retardado que me "ajudou" me mandou para o hospital que tinha o mesmo nome da rua do hostel e que era longe pra caramba.

Parei lá nos confins da cidade no meio da noite e no meio do nada. Andei um pouco e fui pra guarita de segurança do hospital pedir informação. O guarda me olhou com uma cara de "o que esse maluco ta fazendo cheio de mala aqui"?!

Me deu umas informações e ae eu catei minhas ultimas moedas e liguei prum taxi.

Mais de 20 minutos e nada do taxi. O guarda me olhou de novo e disse que tava demorando o taxi. Quase mandei ele pro quinto dos infernos porque nem pra ligar pro taxi pra mim ele ligou. Catei a ultima moeda e liguei de novo pro taxi que entao chegou em 5 minutos.

O taxista ficou chocado de como eu fui para naquele lugar e disse que mais 500 metros eu teria saído da cidade e ido parar numa vizinhança nao muito agradável.

Cheguei no hostel exausto depois de mais de 48 horas sem banho e sem dormir decentemente.

Fiz check in, corri no Mc Donalds que fechava em 10 minutos, jantei e fui dormir.

0 comentários:

Postar um comentário